sexta-feira, fevereiro 10, 2006

INTO MORPHIN


A saga do Metal piauiense continua. Já se vão quase duas décadas desde que nomes como Vagark,Vênus, Avalon ou Megahertz passaram a fazer parte do inconsciente coletivo dos amantes da música pesada no PI, entrincheirados pela distância dos grandes centros, onde o Rock ia sendo diluído em diversas vertentes, atropelado pela mídia e empurrado guela abaixo nas FMs. Isso explica um pouco o inicio da estória de bandas como a Into Morphin, que chegaram ao novo milênio com a tarefa de carregar o estandarte de um Metal autêntico e sólido, mas ao mesmo tempo híbrido e versátil.
Em 1998, a cena roqueira de Teresina vinha de uma curva ascendente. Locais de shows, festivais e mídia projetaram o Rock a vitrine de produto cultural da vez, indo contra a maré da música comercial e sem conteúdo das estações de rádio. Estúdios de ensaio e lojas de instrumentos multiplicavam-se a uma velocidade cada vez maior, dando as bandas uma estrutura para durarem bem mais que meia dúzia de shows. Nesse contexto, a Into Morphin começou a lapidar seu som em cima de influências do Metal moderno da época: Paradise Lost, My Dying Bride, Anathema, Samael, Tiamat e Deicide.
No lugar certo e na hora certa, a IM pegou, por tabela, um crescimento no interesse por esse tipo de som, em grande parte pela popularidade de outra banda da cena naquela época, o Monasterium. Essa proximidade sonora garantiu a presença da IM em boa parte dos shows e festivais que começavam a migrar para a zona leste da cidade, onde uma nova leva de público estava prestes a ser conquistada: uma juventude com amplo acesso a informação via Internet, com carência de shows, que se realizavam a grande maioria na zona central da cidade, e ávida por bandas novas e de som contemporâneo.
A internet se tornou peça-chave na divulgação de "My Rotten Dream", carro-chefe da demo "...Shut Your System Down", de 2000. Numa prova de fogo, a primeira tiragem da demo esgotou-se a poucas horas do show de lançamento, e "My Rotten Dream" foi parar, com destaque na mídia especializada, na coletânea "The Winds of a new Millenium III". Trocas de integrantes eram uma constante nessa época, mas revertendo o problema a seu favor, a IM trouxe o guitarrista Ubaldo Jr., com influência e "pegada" Thrash anos 80, e também o baterista Otto, oriundo da cena Hardcore local. Aumenta assim o currículo de shows, bem como o respaldo da participação em uma coletânea a nível nacional, a banda aproveita então o momento para amadurecer seu som, guiando-se pelas novas influências trazidas pelos integrantes mais recentes, ao mesmo tempo que sente a necessidade de encontrar uma identidade própria, que torne seu som ainda mais marcante. As cinco faixas do EP "The Upcoming Blasphemy" atestam essa busca.
Com músicas mais diretas, cruas e brutais, a IM reforça seu compromisso com o Metal da nova era, sem deixar de lado o peso e o "punch" das primeiras composições, num momento em que a cena local vive momentos de puro modismo travestido de radicalidade.